O estresse do “novo normal” e sua relação nas desordens temporomandibulares

 

                A situação mundial ocasionada pela pandemia do Sars-COV – 2, ou novo coronavírus, promoveu um aumento considerado no estresse emocional, pois, o hipotálamo, o sistema reticular e, particularmente, o sistema límbico são primariamente responsáveis pelo estado emocional do indivíduo. Esses centros influenciam a atividade muscular de muitas maneiras. Com os níveis elevados de estresse emocional aumentam não somente a tonicidade muscular de cabeça e pescoço, como também os níveis de atividade muscular parafuncional, como bruxismo ou  apertamento dentário.

                Mas vamos entender um pouco o que é DTM e DOF …

As DTMs (Disfunções Temporomandibulares) são alterações nos músculos, na articulação temporomandibular e estruturas próximas, onde há dor, dificuldade de abrir a boca, estalos, travamentos, zumbido nos ouvidos, dor de cabeça constante, cansaço para mastigar, entre outros sintomas, podem estar presentes. São várias as causas envolvidas para sua etiologia, entendemos que há alguns fatores de risco para seu aparecimento, perpetuação e piora, e esses fatores podem ser de diversas origens (doenças sistêmicas, fatores genéticos, problemas posturais, hábitos parafuncionais e até problemas comportamentais), e em função desta característica multifatorial, geralmente o tratamento ideal é por meio de equipes multidisciplinares.

Enquanto que, as DOF (Dores Orofaciais) são por definição, todas as dores associadas a tecidos moles e mineralizados (pele, vasos sanguíneos, ossos, dentes, glândulas ou músculos) da cavidade oral e da face, podem ser percebidas como alterações na sensibilidade da pele, mucosa, dentes, ossos e gengivas.

Podemos didaticamente classificar as dores orofaciais DOFs em:

DORES ODONTOGÊNICAS:

• Dores de origem dental (cárie dental, canal inflamado ou infeccionado, fraturas, traumas);

• Dores de origem gengival (gengivites, periodontites, inflamações e infecções nas gengivas, traumas de mordida);

• Dores de origem óssea (fraturas, processos degenerativos).

DORES NÃO ODONTOGÊNICAS:

• Músculo Esqueléticas (DTMs)

• Dores de origem muscular (processos de inflamação na musculatura da face, pescoço, cabeça, presença de pontos gatilho, má postura, mastigação e deglutição ineficientes);

• Dores de origem articular (processos degenerativos locais, como a osteoartrose, discopatias, estalidos e crepitações nos movimentos mandibulares, travamentos, luxações, hipermobilidades e processos degenerativos sistêmicos, como as artrites,)

• Dores de origem vascular (arterite temporal, enxaquecas);

• Dores neuropáticas (dores persistentes, dores tipo neuralgias, alteração da sensibilidade);

•  Dores de origem psicogência (alterações comportamentais e ou psiquiátricas que podem levar o paciente a desenvolver quadros dolorosos); 

• Dores de origem sinusal (presença de sinusite, rinites);

• Dores relacionadas a doenças sistêmicas (alterações do sono, artrites, lúpus, fibromialgia, cefaleias, enxaqueca, hipotireoidismo);

• Dores relacionada a tumores.

Cabe ao especialista em Dor Orofacial e Disfunção temporomandibular diagnosticar a origem da dor, e sempre que possível trata-la, ou então encaminhá-lo ao médico da área específica para um trabalho multidisciplinar.

Podemos aplicar o diagnóstico por imagem para complementar as informações obtidas no exame clínico, particularmente quando se suspeita de uma anomalia óssea ou infecção, quando o tratamento conservador fracassar ou os sintomas se agravarem. O diagnóstico por imagem também deve ser considerado para pacientes com história de trauma, disfunção significativa, alteração na amplitude do movimento, anomalias sensoriais ou motoras, ou alterações significativas na oclusão. O diagnóstico por imagem da ATM não está indicado em casos de sons articulares se outros sinais ou sintomas estiverem ausentes, ou para crianças ou adolescentes assintomáticos antes de iniciarem tratamento ortodôntico. Os objetivos do diagnóstico por imagem da ATM são avaliar a integridade e o relacionamento dos tecidos moles e duros, confirmar a extensão ou estágio de uma doença conhecida e avaliar os efeitos do tratamento.

Ressalto, que os achados clínicos devem correlacionar a informação radiográfica com história do paciente para fechar do diagnóstico final e planejar o tratamento.

O critério de escolha do tipo de técnica radiográfica selecionada depende do problema clínico específico, se a visualização de tecido duro ou mole é desejada, a quantidade de informação disponível para o diagnóstico de uma modalidade de imagem específica, o custo do exame e a dose de radiação. Na maioria dos casos, o protocolo de imagem começa com a visualização do tecido duro para avaliar o contorno ósseo, o relacionamento da posição do côndilo e da fossa e o grau de mobilidade, apesar de que uma combinação de técnicas radiográficas pode ser indicada. Enquanto que a visualização de tecidos moles está indicada quando informação sobre a posição do disco (morfologia ou integridade) ou para visualizar anomalias nos músculos e tecidos adjacentes.

Apresentaremos as informações oferecidas para o diagnóstico pelos seguintes métodos de imagens:

– Projeção panorâmica: Como a projeção panorâmica fornece uma visão geral dos dentes e dos maxilares, ela serve como uma projeção para identificar alterações odontogênicas e outras desordens que podem ser a fonte dos sintomas da ATM. nenhuma informação sobre a posição condilar ou função é fornecida, pois a mandíbula está parcialmente aberta e protruída quando esta radiografia é realizada. Além disso, alterações ósseas moderadas podem ser mascaradas, e apenas alterações evidentes na morfologia da eminência articular podem ser vistas pelo resultado da sobreposição da base do crânio e do arco zigomático. Por essas razões, a projeção panorâmica não fornece uma avaliação adequada dos tecidos duros das articulações.

 

Imagem 1 – Projeção Panorâmica

 

– Projeção Transcraniana: A projeção transcraniana fornece uma visão sagital da porção lateral do côndilo e do componente temporal. É útil para a identificação de alterações ósseas mais evidentes somente da porção lateral da articulação, visualização de fraturas condilares deslocadas e do grau de mobilidade condilar.

Imagem 2 – Projeção Transcraniana

 

– Tomografia computadorizada: Fornecem finas secções de interesse, que permite examinar com maior exatidão a anatomia da ATM, podem ser vistas em planos, sem distorção ou sobreposição. O exame é indicado para diagnóstico de anormalidades ósseas incluindo fraturas, deslocamentos, artrite, anquilose e neoplasia. Sendo possível a obtenção de reconstruções bi e tridimensionais das imagens.

Imagem 4 – Tomografia Computadorizada.

 

-Ressonância Magnética (RM) :  Fornecem imagens excelentes dos tecidos moles, essa técnica pode ser usada para visualização do disco articular. A RM permite a construção de imagens nos planos sagital e coronal sem o reposicionamento do paciente. Essas imagens normalmente são adquiridas em posições mandibulares aberta e fechada usando bobinas de superfície para melhorar a resolução da imagem.

 

 NOTA:  Imagens radiográficas convencionais não demonstram a posição do disco, morfologia ou função. A visualização do tecido mole está indicada quando dor na ATM ou disfunção estiverem presentes ou quando achados clínicos sugerirem deslocamento de disco juntamente com sintomas que são refratários à terapia conservadora.

Assim, a indicação de um exame por imagem da ATM depende, principalmente, de que sejam seguidos critérios de seleção baseados nos sinais clínicos e sintomas apresentados pelo paciente, que contribuam para o diagnóstico e tratamento da doença.


Dose de Sabedoria por: Dra Ana Luiza Riul, Dr. Luis Fernando Jardim e Dra. Patrícia Jardim

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Referências:

WHITE S. C.; PHAROAH M. J. Radiologia Oral: Fundamentos e Interpretação. 5 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007.

MAHL, C.R.W; SILVEIRA, M.W. Diagnóstico por imagens da articulação temporomandibular: técnicas e indicações. JBA, Curitiba, v.3, n.11, p.327-332, out./dez. 2002.

OKESON, J.P. Tratamento das desordens temporomandibulares e oclusão. 7 ed. São Paulo: Artes Médicas, 2013

RAMOS, A.C.; SARMENTO, V.A.; CAMPOS, P.S.F.; GONZALEZ M.O.D. Articulação temporomandibular – aspectos normais e deslocamentos de disco: imagem por ressonância magnética. Radiologia Brasileira, 2004.
Disponível em: <http://www.rb.org.br/detalhe_artigo.asp?id=1610&idioma=Portugues>. Acesso em: 24, junho de 2021.